Ganhou reedição a biografia que João Francisco Lisboa fez do nome maior do nosso barroco: Vida do Padre Antônio Vieira.

Biografia que João Lisboa não planejou da forma como acabou publicada, mas que, para o bem como para o mal, ajudou a consolidar a fama desse prosador entre os poucos que o leram.
Digo a torto e a direito e aqui o repito: João Francisco Lisboa é o maior prosador brasileiro de meados do século XIX; não tivesse existido um rapazote carioca que o lia e que depois escreveria Memórias Póstumas de Brás Cubas, e hoje se poderia dizer com segurança que tinha sido o maranhense o maior prosador daquele século.
Essa é a opinião de José Guilherme Merquior, e é também a minha, tanto que dediquei minha tese de doutorado a esse escritor de neoclássica língua de trapo: “Como ler Jornal de Tímon: João Francisco Lisboa e seu dispositivo metaliterário” (pode ser baixada aqui).
A assim chamada Vida do Padre Antônio Vieira, título dado pelos editores póstumos de Lisboa, era apenas parte de obra maior e de mais variada natureza, o Jornal de Tímon, publicação seriada, espécie de jornal bissexto de um homem só, no qual se conjugam sátira social, história do Brasil e do Maranhão coloniais, pastiche de jornalismo, tratadismo político, arremedo jocoso de história do processo eleitoral da Antiguidade até as democracias modernas.
Apresento alguns aspectos do Jornal de Tímon em meu prefácio à nova edição da biografia de Vieira, “Um grego e um jesuíta”. E discuto com brevidade a necessidade de ler essa biografia como um primeiro passo rumo à leitura integral do Jornal, por mais difícil que, no momento, seja o acesso a uma edição decente.
Encomende Vida do Padre Antônio Vieira.
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