A Alegoria do Mundo: o Mago, o Filólogo e o Colonizador
- 6 Sections
- 17 Lessons
- 22h 30m Duration
Introdução
Parte 1
Intermezzo
Parte 2
- Aula 4: Mago. Quem é e o que faz (I)
- Aula 5, Parte 1: O mago. Quem é e o que faz (II)
- Aula 5, Parte 2: Mago. Quem é e o que faz (III)
- Aula 6: Filologia. E retorno à realidade
- Aula 7: Pantagruel. A fome de abarcar o mundo como miragem do humanismo
- Aula 8: O sentido da história e o sentido do sentido
- Aula 9: O sentido da história e o sentido do sentido (II): contemplação e melancolia
Parte 3
Bônus
“A Alegoria do Mundo: o Mago, o Filólogo e o Colonizador” consiste em uma investigação histórica e filosófica sobre as origens da modernidade e a rota de saída que o pensamento latino-americano oferece ao projeto humanista. Em virtude da importância que o pensamento alegórico assumiu no Ocidente, seja na literatura renascentista seja na nascente ciência moderna, nada mais apropriado que fazer a crítica desse ciclo histórico por meio do artifício de narrá-lo como uma fábula prestes a chegar ao fim.
Estas aulas também reparam alguns lapsos temporais de "O Destino do Humanismo" e "Os Livros da Vida". Nelas fui do século XII ao XIX, de Abelardo a Goethe, mas com muitas irregularidades: pouca atenção dei, por exemplo, ao século XV; menos ainda ao XVII e ao XVIII. O tratamento da ficção de François Rabelais e da filosofia de Giambattista Vico, por exemplo, me permite agora remediar minimamente essa falta.
Aproveito para rever e aprofundar os conceitos de projeto humanista, nova aposta de Pascal, ciclo hermenêutico moderno, técnicas da melancolia e sono da cultura.
Achei pertinente rever esses conceitos como parte da narrativa que vejo na modernidade. Daí a escolha de três personagens-tipos que, historicamente localizáveis numa miríade de autores e agentes políticos, dão carne àqueles conceitos: o Mago, o Filólogo e o Colonizador.
Por fim, de nada me interessaria refazer e reavaliar a história da erudição moderna se não fosse para dar conta de minha situação particular de brasileiro, de latino-americano. E a isso dedicarei algumas aulas. A alegoria do mundo encontra seu fim justamente no novo mundo: não é só o indígena americano que assiste ao fim dos seus deuses, não é só o escravo africano que vive o exílio de seus manes familiares, é também o europeu alguém que, ao engendrar os povos latino-americanos, aciona a manivela da história que encerrará quase um milênio de projeto humanista.
Hoje assistimos um pouco confusos à crise das democracias liberais e nos entediamos com as técnicas universitárias de pesquisa (última degenerescência das técnicas da melancolia, como as chamo). E, desorientados, julgamos desfavoravelmente nossa cultura e nossa situação no cenário global sem percebermos que essa cultura e essa situação são preciosas precisamente por escaparem a impasses próprios à modernidade europeia.
Conforme discuto nas últimas três aulas, somos pós-modernos de nascença e estamos aptos como poucos a desenvolver um novo estilo de universalidade literária que aponte formas mais naturais de experiência do mundo da cultura. Os tristes trópicos terão a felicidade, se para isso nos esforçarmos, de inventar novas formas de ler e de criar.
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