A Alegoria do Mundo: o Mago, o Filólogo e o Colonizador

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Curriculum

“A Alegoria do Mundo: o Mago, o Filólogo e o Colonizador” consiste em uma investigação histórica e filosófica sobre as origens da modernidade e a rota de saída que o pensamento latino-americano oferece ao projeto humanista. Em virtude da importância que o pensamento alegórico assumiu no Ocidente, seja na literatura renascentista seja na nascente ciência moderna, nada mais apropriado que fazer a crítica desse ciclo histórico por meio do artifício de narrá-lo como uma fábula prestes a chegar ao fim.

Estas aulas também reparam alguns lapsos temporais de "O Destino do Humanismo" e "Os Livros da Vida". Nelas fui do século XII ao XIX, de Abelardo a Goethe, mas com muitas irregularidades: pouca atenção dei, por exemplo, ao século XV; menos ainda ao XVII e ao XVIII. O tratamento da ficção de François Rabelais e da filosofia de Giambattista Vico, por exemplo, me permite agora remediar minimamente essa falta.

Aproveito para rever e aprofundar os conceitos de projeto humanistanova aposta de Pascalciclo hermenêutico modernotécnicas da melancolia e sono da cultura.

Achei pertinente rever esses conceitos como parte da narrativa que vejo na modernidade. Daí a escolha de três personagens-tipos que, historicamente localizáveis numa miríade de autores e agentes políticos, dão carne àqueles conceitos: o Mago, o Filólogo e o Colonizador.

Por fim, de nada me interessaria refazer e reavaliar a história da erudição moderna se não fosse para dar conta de minha situação particular de brasileiro, de latino-americano. E a isso dedicarei algumas aulas. A alegoria do mundo encontra seu fim justamente no novo mundo: não é só o indígena americano que assiste ao fim dos seus deuses, não é só o escravo africano que vive o exílio de seus manes familiares, é também o europeu alguém que, ao engendrar os povos latino-americanos, aciona a manivela da história que encerrará quase um milênio de projeto humanista.

Hoje assistimos um pouco confusos à crise das democracias liberais e nos entediamos com as técnicas universitárias de pesquisa (última degenerescência das técnicas da melancolia, como as chamo). E, desorientados, julgamos desfavoravelmente nossa cultura e nossa situação no cenário global sem percebermos que essa cultura e essa situação são preciosas precisamente por escaparem a impasses próprios à modernidade europeia.

Conforme discuto nas últimas três aulas, somos pós-modernos de nascença e estamos aptos como poucos a desenvolver um novo estilo de universalidade literária que aponte formas mais naturais de experiência do mundo da cultura. Os tristes trópicos terão a felicidade, se para isso nos esforçarmos, de inventar novas formas de ler e de criar.

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